A quinze metros do arco-íris o sol é cheiroso. (Manoel de Barros)



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quarta-feira, 13 de abril de 2011

A magia dos aromas


A fragrância no lar, para os antigos, era como um prazer estético. Roupas guardadas em arcas de cedro, além de mantê-las perfumadas, também as livravam das traças, que não gostavam do odor de cedro. Queimar incenso nas despensas perfumava as mercadorias guardadas e ajudava a manter os roedores longe dos víveres.
Acreditava-se que o incenso purificava o ar das influências contagiantes das doenças e do infortúnio. Assim, até as famílias mais pobres mantinham incensários ardendo diante das portas da frente, a fim de protegerem seus lares.

Tinha lógica, pois a maior parte desses aromas é anti-séptica e destrói bactérias, funcionando como protetores naturais, como ficou comprovado com o surgimento da Química Moderna, no século XIX, que conseguiu analisar os componentes de suas moléculas.

E ainda hoje continuamos com esse costume de perfumar nossa casa.
Os tempos mudaram, mas a magia dos aromas continua...

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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Aromas da Rainha



Na corte de Elizabeth I sentiam-se as influências do Renascimento na apreciação tanto das artes quanto dos aromas.
As damas usavam sachês, pomanders de prata e rosas secas eram aplicadas em seus decotes. Lavanda, estragão, mangerona, manjericão e outros aromas de ervas e flores compunham maravilhosos potpouris, muitas vezes acrescidos de especiarias como a canela e o cravo.
Os aposentos de Elizabeth eram juncados de ulmárias, popularmente chamadas de “grinaldas de noivas.

Tomar banho naquela época não era um hábito, pois se acreditava que enfraquecia o organismo. A maioria só o fazia muito raramente, quando muito uma vez por ano.
Era necessário usar perfumes para encobrir os odores.

Elizabeth fugia aos hábitos da época, anunciou-se na corte que a rainha tomava um banho de quatro em quatro semanas "sendo necessário ou não".
É possível que, tenha criado moda, pois o consumo de sabão na Inglaterra era maior do que em qualquer outro país europeu.

Mais tarde, o sabão sofreu uma série de restrições e uma pesada carga tributária, sendo taxado como artigo de luxo. Pagava-se muito caro por uma barra. Só em 1853 é que a taxa foi abolida na Inglaterra.

Todos os sabões eram perfumados com essência de lavanda.

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sábado, 20 de novembro de 2010

Banquetes perfumados


Na Roma Antiga os banquetes eram realizados em ondas de perfume. Só poderia ser chamado de banquete se fosse perfumado. E para isso utilizavam-se flores frescas e viçosas, ungüentos perfumados e os incensos.
Flores recém-colhidas eram frequentemente espalhadas pelo chão da sala onde se realizava um banquete.
A mesa, muitas vezes, era preparada esfregando-a com folhas de hortelã. E, os próprios convivas eram adornados com fragrantes grinaldas, feitas com espécies diferentes de flores ou folhas perfumadas, como rosas, violetas, jacintos, flores de maçã, tomilho, alecrim, murta, louro e salsa.
Usadas na cabeça, sobre a testa, serviam para aliviar os excessos de bebida, se usadas sobre o peito, era para estimular o coração.
Entre um prato e outro eram oferecidas águas de flores, para que se lavassem as mãos engorduradas, pois naquele tempo comia-se com os dedos.
Ungüentos perfumados eram trazidos pelos escravos em caixas de alabastro para serem oferecidos aos convidados.
E nos cantos do ambiente eram acesos os incensos.

Petrônio, satirista do século I, descreve um luxuoso banquete, onde o anfitrião tem uma argola que desce do teto contendo caixas de alabastro com ungüentos perfumados para oferecer aos seus convidados.

Nero, durante seus banquetes, mandava soltar pétalas de rosas sobre seus convidados e pombas com as asas perfumadas para espalhar seu aroma através dos salões, e ainda mandou fazer tubulações no teto das salas por onde borrifava águas de flores durante as festas.

Heliogábalo, um dos últimos e pervertido imperador, num e seus banquetes, mandou espalhar tantas pétalas de rosas que estas chegaram a asfixiar os convidados, causando a morte de vários deles.

Era uma orgia de aromas... o uso de perfumes chegou a se converter em abuso e exagero.



Ilustração - As Rosas de Heliogábalo - Alma Tadena - 1888
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Prova de amor


Na Antigüidade usavam-se fragrâncias não só para fins de atração pessoal, mas também como importante ingrediente para tudo, desde banquetes a desfiles e funerais, passando por eventos esportivos.
Os perfumes também eram usados para mascarar odores desagradáveis no lar, como os que provinham de produtos de despejo. O óleo dos lampiões, que tinha um odor ruim, era perfumado por quem dispunha de recursos para tanto. De modo análogo, perfumar roupas com incensos disfarçaria quaisquer odores desagradáveis inerentes aos tecidos ou às tinturas empregadas em sua fabricação.
O perfume era também muito usado pelos apaixonados, com o objetivo de realizar o ideal do amante bem cheiroso.
Como símbolo fragrante de sua adoração, os apaixonados presenteavam suas amadas com coroas florais, quanto mais perfumadas, maior era a prova de amor.

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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Ritual dos Aromas


O homem é um ser inquieto, sociável, sempre curioso e comovido com algo impalpável. E sua ambição é entrar em contato direto com a essência divina em que acredita.
Os rituais das fragrâncias, as práticas e processos evocativos são a psicoterapia que atinge o mental, e os aromas favorecem ao homem a ativar o cérebro e mergulhar no seu subconsciente, codificado em sua memória.

No ritual dos aromas, as técnicas atuam na sensibilidade. Certos odores têm efeitos calmantes, hipnóticos.
O bálsamo da Judéia, por exemplo, jogou Salomão nos braços da rainha de Sabá, que chegou ao Egito com sua legião de elefantes etíopes.
Marco Antônio se rendeu a Cleópatra envolvido nas nuvens aromáticas que se desprendiam das velas de seu barco.
As mulheres árabes faziam ungüentos perfumados com jasmim, sândalo e aloé. Rainhas e princesas egípcias perfumavam suas roupas e seus leitos com canela e mirra, entre outras espécies aromáticas.
Usavam óleos extraídos de plantas para se protegerem do sol causticante, leite cozido com feno grego para amaciar e refrescar a pele, cravos e erva-doce para mordiscar e perfumar o hálito.

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